Mulheres nas artes marciais

Onna-bugeisha

Onna-bugeisha (女武芸者?) é a denominação da mulher japonesa com treinamento em artes marciais e armas para combate; (ou Onna-musha: “guerreira”). O treinamento incluía o manuseio da lança naginata, a adaga kaiken e da arte marcial tantōjutsu (luta com pequenas adagas). A onna-bugeisha foi comum até o período Sengoku, no qual o status da mulher japonesa mudou de acordo com a filosofia neoconfuciana. Pertenciam ao bushi, uma classe nobre de guerreiros japoneses que já existia antes do termo samurai começar a ser usado. Entre os séculos XII e XIX, essas mulheres da alta classe eram treinadas na arte da guerra e, como mencionado, usavam a naginata principalmente para a defesa. Caso suas comunidades fossem atacadas pelos inimigos, as onna-bugeisha lutavam até a morte.

Durante o Xogunato Tokugawa ainda havia treinamento regular para as mulheres, embora o papel fosse somente de defesa do lar e proteção pessoal. A classe deixou de existir a partir da Restauração Meiji. As guerreiras mais conhecidas da época foram: a Imperatriz Jingū, Tomoe Gozen, Hangaku Gozen e Nakano Takeko.

O principal propósito de uma onna-bugeisha era garantir a segurança de suas casas e protegê-las dos vândalos e invasores, utilizando armas de longo alcance, (naginata), que foi ao longo do tempo, sendo associado à figura de mulheres guerreiras no Japão.

Muito antes do surgimento da renomada classe dos samurais, os lutadores japoneses já eram altamente treinados para empunhar espadas e lanças. Assim, as mulheres aprenderam a usar algumas armas, cujo treinamento garantiu proteção em comunidades que não tinham lutadores do sexo masculino. 

Uma figura mitológica que incorporou esses princípios foi a Imperatriz Jingū (c. 169-269 dc), que dizem ter usado suas habilidades para inspirar mudanças econômicas e sociais no início de Yamato no Japão. Segundo a lenda, depois de seu marido, o Imperador Chūai, o décimo quarto imperador do Japão, ser morto em batalha, ela liderou uma expedição (o que agora é conhecida como Coréia) por volta de 200 d.c, e voltou vitoriosa. Embora a história da Imperatriz Jingū (e talvez até mesmo a própria pessoa), seja cercada de controvérsia, pois muitos historiadores acreditam que os relatos da Imperatriz sejam fictícios ou enganosos, ela no entanto, serve como um exemplo de onna-bugeisha na cultura japonesa. Quase 1600 anos após sua morte, em 1881, a Imperatriz se tornou a primeira mulher a ser representada em uma nota de banco japonesa . Uma vez que nenhuma imagem real desta figura lendária é conhecida, a representação de Jingū na nota de um banco, que foi artisticamente concebida por Edoardo Chiossone, é inteiramente fictícia. 

Como relatado acima, a arma mais popular das onna-bugeishas era a naginata (que pesa cerca de 650g e mede mais de 2 metros de comprimento): uma versátil e convencional arma de haste com uma lâmina curvada na ponta, que podia compensar a vantagem de força e tamanho do corpo dos oponentes do sexo masculino. A naginata tem um nicho entre a katana e o yari , e era bastante eficaz em combate corpo a corpo, mantendo o oponente mais distante e era relativamente eficiente contra a cavalaria.  

Onna-bugeishas mais conhecidas:

  • Imperatriz Jingū : Imperatriz Regente que liderou a primeira invasão japonesa da Coréia e muitos eventos políticos que impactaram a história japonesa também. Ao contrário de outras imperatrizes e imperadores japoneses, Jingu foi uma governante que liderou campanhas militares, trabalho que geralmente era dado aos Shōguns.
  • Hōjō Masako : líder política do Shogunato Kamakura , ela foi uma figura proeminente na Guerra de Genpei e em muitos outros eventos do período Kamakura. Ela era conhecida como ama-shōgun, ou  ” nun-shōgun ”.
  • Nakano Takeko : foi uma das samurais com maior honra; era filha primogênita do oficial Aizu e samurai Nakano Heinai. Por ser de uma família importante ela deu início aos estudos com apenas seis anos de idade. Estudou artes marciais, literatura, caligrafia entre outros. Devido às reformas da era Meiji, Takeko e as mulheres de Jōshitai (o Exército Feminino) foram as últimas samurais da história. Nakano Takeko foi adotada pelo professor Akaoka Daisuke e passou a dar aulas de artes marciais e naginata para mulheres e crianças no castelo de Aizuwakamatsu em Aizu. Como líder do Jōshitai, participou da guerra de Boshin conduzindo várias mulheres contra as forças imperiais. A linha de frente era composta por mulheres e o exército oponente decidiu dar fim aos ataques. Porém, as guerreiras se aproveitaram disso para atacá-los usando suas naginatas, enquanto os oponentes usavam armas de fogo. As Jōshitai deixaram centenas de mortos e apesar da boa estratégia, Nakano Takeko acabou levando um tiro. Para ser enterrada e não permitir que seus inimigos violassem seu corpo e ser usado como troféu, ela pediu que sua irmã, Yūko, a decapitasse ainda em batalha. Yūko levou a cabeça de sua irmã até o templo Hōkai da família.
  • Niijima Yae : ela foi uma das últimas samurais da história. Lutou também na Guerra Boshin e serviu como enfermeira na Guerra Russo-Japonesa e na Guerra Sino-Japonesa. Mais tarde, se tornou um dos símbolos da luta pelos direitos das mulheres. Yae foi uma das primeiras pessoas a ser condecorada pelo Império Meiji .
  • Tomoe Gozen : extraordinária guerreira que lutou em conflitos e que levaram ao primeiro Xogunato no Japão. Seu legado influenciou várias gerações de samurais. Tomoe Gozen nem sempre foi credenciada como uma figura histórica; no entanto, ela impactou grande parte da classe guerreira, incluindo muitas escolas tradicionais de naginata. Suas ações em batalha receberam muita atenção em peças de artes, como Tomoe no Monogatari e vários ukiyo-e. 
  • Hangaku Gozen: general feminina na Guerra Genpei. Enquanto Tomoe Gozen era uma aliada do clã Minamoto, Hangaku se aliou ao clã Taira. Ela era conhecida por suas habilidades como arqueira. Ela e seu sobrinho, Ju Sukemori, que também era guerreiro, se uniram para participar da Revolta Kennin para derrotar o xogunato Kamakura por serem rivais ao clã Taira. Hangaku Gozen foi quem liderou e formou um exército composto por três mil soldados. Porém os oponentes tinham muito mais guerreiros para a batalha, e ela foi ferida na perna por uma flecha. Se tornou prisioneira em Xogum e só não cometeu o seppuku porque um soldado de Minamoto acabou se apaixonando por ela e isso fez com que ela fosse liberada para se casar. 
  • Yodo-dono: mulher nobre que foi a castelã do castelo de Yodo e mais tarde se tornou a verdadeira chefe do castelo de Osaka . Participou de muitos eventos políticos após a morte de seu marido, Hideyoshi  e como guardiã de Hideyori (filho de Hideyoshi), desafiou o clã Tokugawa, liderando assim o Cerco de Osaka, a última batalha do período Sengoku e que encerra o período de guerra dos próximos 250 anos.

estátua de Nakano Takeko

As mulheres japonesas eram educadas para se tornarem esposas e mães, e embora a maioria delas conhecesse política, artes marciais e diplomacia, elas não tinham permissão para suceder na liderança do clã. No entanto, houve exceções e há relatos de que algumas mulheres governavam de fato seus clãs, como Ii Naotora. Ela assumiu a liderança do clã após a morte de todos os homens da família Ii. Seus esforços como líder tornaram seu clã independente e ela se tornou uma Daimyo.

Acredita-se que muito mais mulheres participaram de batalhas do que aquelas escritas em registros históricos. Estudos e testes de DNA foram feitos em 105 corpos escavados na Batalha de Senbon Matsubaru entre Takeda Katsuyori e Hojo Ujinao e revelaram que 35 deles eram de mulheres. 

Outras escavações foram feitas em áreas de batalhas e a arqueóloga japonesa Suzuki Hiroatsu explica que o comum é encontrar ossos de mulheres ou crianças próximos aos castelos, onde ocorrem os cercos, já que elas costumavam participar da defesa de suas residências. No entanto, ela aponta o fato de não existir nenhum castelo neste local e conclui que “ estas mulheres vieram aqui para lutar e morrer” e poderiam sim ter feito parte do exército. 

O fim das Onna-bugeishas 

O início do século XVII marcou uma transformação significativa na aceitação social das mulheres no Japão: como os samurais pararam de lutar e viraram burocratas, a função das onna-bugeisha também mudou. Muitos samurais começaram a ver as mulheres como simples geradoras de filhos que não podiam ir para a guerra e deviam ser passivas e obedientes. Viajar durante a Era Edo também se tornou muito difícil para as mulheres por causa das restrições impostas. Elas só podiam viajar se estivessem acompanhadas por um homem e se tivessem permissão especial e, além disso, precisavam passar por inspeções abusivas nos pontos de controle.

Os últimos registros de mulheres da classe samurai participando de batalhas foram durante a Rebelião Satsuma. Acredita-se que várias mulheres lutaram na batalha em defesa da cidade de Kagoshima . A rebelião também acabou efetivamente com a classe samurai, já que o novo Exército Imperial Japonês era formado por recrutas sem levar em conta a classe social.

No decorrer da Restauração do período Meiji, por volta do século XIX, samurais homens e mulheres começaram a perder seu espaço, terminando assim a história das onna-bugeishas.

Kunoichi – as Ninjas Femininas

No século XVI, começaram a surgir as mulheres ninjas, chamadas de kunoichi, que eram assassinas, espiãs e mensageiras treinadas nas artes marciais como: taijutsukenjutsu e ninjutsu.

Quem se destaca nesse período é Mochizuki Chiyome: uma poeta e nobre que foi contratada por um daimyo para criar um grupo secreto de espionagem composto somente por mulheres. Chiyome recrutou prostitutas e mulheres rebeldes, e as treinou para se tornarem informantes, mensageiras e assassinas. Com o tempo, sua rede de kunoichi aprendeu a se disfarçar como sacerdotisas, monjas e geishas, para que elas pudessem andar livremente e ter acesso a seus alvos. Sua rede chegou a ter centenas de agentes que serviam o Clã Takeda.

Fontes: https://skdesu.com/onna-bugeisha-mulheres-samurai/ ; expressolivre.com.br ; sucodemanga.com.br ; wikipédia

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